quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Poetizando




Entre a raiz e a flor: o tempo e o espaço,

e qualquer coisa além: 

a cor dos frutos, a seiva estuante, 
as folhas imprecisas
e o ramo verde como um ser colaço.


Com o sol a pino há um súbito cansaço,

e o caule tomba sobre o solo de aço;

sobem formigas pelas hastes lisas,
descem insetos para o solo enxuto.


Então é necessário que as borrascas

venham cedo livrá-la da cobiça

que sobe e desce pelas suas cascas;

que entre raiz e flor há um breve traço:

o silêncio do lenho, ― quieta liça

entre a raiz e a flor, o tempo e o espaço.


Jorge de Lima 
Poesia completa, org. Alexei Bueno.
RJ: Nova Fronteira, 2008, p.474





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