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domingo, 23 de outubro de 2016


"Ser diferente" é o título de um interessante texto do Artur da Távola, jornalista, escritor, professor nascido no Rio de Janeiro. 
Chamou atenção obviamente porque me identifiquei com diversos parágrafos, especialmente por sentir nas pessoas, em vários âmbitos, um esvaziamento de opiniões próprias.  Por ver uma repetição de palavras e ações que mal sabem o que significam, agindo apenas porque a maioria está fazendo, sem discussão, sem debates, sem entendimento do porquê das coisas. 
Com o nosso país passando por uma grave crise política e econômica, penso que o momento seja propício para refletirmos sobre nossas ações. 
Quantas vezes ouvimos uma opinião e acreditamos piamente sem buscar uma contra opinião para ter um entendimento mais alargado de determinadas situações e só então, após analisarmos os prós e contras, emitirmos um parecer ? Muitos podem fazer isso, mas a maioria... ainda não. 
Enfim,  reproduzirei o texto abaixo, que se conecta perfeitamente com a imagem da flor híbrida (estou ficando especialista em produzi-las...😄 ) e a frase de Chanel: "Para ser insubstituível, você precisa ser diferente" ressaltando a importância de valorizar não aquilo que os outros tem para você ser igual mas aquilo que você tem que pode ser diferente.

SER DIFERENTE
Por Artur da Távola
(grifo nosso)

Diferente não é quem pretenda ser. 
Esse é um imitador do que ainda não foi imitado, nunca um ser diferente.
Diferente é quem foi dotado de alguns mais e de alguns menos em hora, momento e lugar errados para os outros que riem de inveja de não serem assim.
O diferente nunca é um chato. Mas é sempre confundido por pessoas menos sensíveis e avisadas. Supondo encontrar um chato onde está um diferente, talentos são rechaçados; vitórias, adiadas..... Esperanças, mortas.
Um diferente medroso, este sim, acaba transformando-se num chato. Chato é um diferente que não vingou. Os diferentes muito inteligentes percebem porque os outros não os entendem.
Diferente que se preza entende o porquê de quem o agride.
O diferente paga sempre o preço de estar - mesmo sem querer - alterando algo, ameaçando rebanhos, carneiros e pastores. O diferente suporta e digere a ira do irremediavelmente igual, a inveja do comum, o ódio do mediano.

O verdadeiro diferente sabe que nunca tem razão, mas que está sempre certo.

O diferente começa a sofrer cedo, já no primário, onde os demais, de mãos dadas, e até mesmo alguns adultos, por omissão, se unem para transformar o que é potencial em caricatura. O que é percepção aguçada em: "puxa, fulano, COMO VOCÊ É COMPLICADO".

O que é o embrião de um estilo próprio em: "você não está vendo como todo mundo faz?"

O diferente carrega desde cedo apelidos que acaba incorporando. Só os diferentes mais fortes do que o mundo se transformaram nos seus grandes modificadores. 

Diferente é o que vê mais longe do que o consenso. O que sente antes mesmo dos demais começarem a perceber.

Diferente é o que se emociona enquanto todos em torno, agridem e gargalham.

É o que engorda mais um pouco; chora onde outros xingam; estuda onde outros burram. Quer onde outros cansam. Espera de onde já não vem. Sonha entre realistas. Concretiza entre sonhadores. Fala de leite em reunião de bêbados. Cria onde o hábito rotiniza. Sofre onde os outros ganham.

Diferente é o que fica doendo onde a alegria impera. Fala de amor no meio da guerra. Deixa o adversário fazer o gol, porque gosta mais de jogar do que de ganhar. 

Os diferentes aí estão: enfermos, paralíticos, machucados, inteligentes em excesso, bons demais para aquele cargo, excepcionais, narigudos, barrigudos, joelhudos, de pé grande, de roupas erradas, cheios de espinhas, de mumunha ou de malícia.

Alma dos diferentes é feita de uma luz além. Sua estrela tem moradas deslumbrantes que eles guardam para os pouco capazes de os sentir e entender. E....nessas moradas estão tesouros da ternura humana. De que só os diferentes são CAPAZES.


Seja diferente
Seja você
Carla Camuso 🌺


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